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Quando o Ego cai, a Alma respira


Há momentos na vida em que somos obrigados a encarar o que construímos , castelos de certezas, papéis, histórias e versões que um dia nos sustentaram, mas que já não fazem mais sentido.

É quando percebemos que, no tapete da alma, sobraram apenas os confetes de uma festa que não lembramos mais por qual motivo começou.


E então vem a pausa.

Uma pausa profunda.

Sem notas, sem melodia, sem pressa.


Apenas o silêncio que ecoa como um grande intervalo entre um ciclo e outro.

Neste território desconhecido, o ego se retrai, e algo dentro de nós começa a se reorganizar. Surge uma sensação estranha – como se uma nova vida quisesse nascer, mas ainda estivesse sem nome, sem forma, sem um roteiro claro.

É o “puerpério da alma”: o período em que tudo é sensível, frágil, cambaleante… e profundamente verdadeiro.

De repente, vemos que a vida colocou em nossas mãos uma página em branco, limpa, esperando pela nova história que ainda não sabemos escrever. E essa falta de respostas , por mais desconfortável que seja , não é fracasso: é começo.

As estruturas antigas ruem.

Os alicerces antigos estremecem.

Engenheiros invisíveis observam o terreno, estudando o que pode permanecer e o que já não serve para sustentar a construção da nova versão de nós mesmos.

E no meio desse processo, algo sutil acontece: percebemos que não confiamos totalmente naquele “eu antigo” que nos trouxe até aqui… e ainda não conhecemos o novo “eu” que precisa surgir.

É um ponto de travessia.

Um entre-lugar.

Um estado liminar da existência.

E ninguém passa por ele sem sentir o chão afastar-se um pouco dos pés.

Mas é justamente aí, quando tudo parece desmoronar, que a alma se coloca na frente pela primeira vez.

Ela fala sem palavras.

Lembra sem memórias.

Conduz sem mapa.

Ela sabe que crescer dói.

Que renascer exige colapso.

Que morrer para o ego é apenas devolver a vida ao espírito.

E assim seguimos:

entre pausas, silêncios, confusão e esclarecimentos;entre o que já fomos e o que ainda estamos aprendendo a ser.

A morte do ego não é o fim.

É o início de uma vida mais real.

Mais alinhada.

Mais nossa.

Quando o antigo se dissolve, o novo não surge imediatamente , ele é construído tijolo a tijolo, como uma obra que exige paciência, estudo, humildade e presença.

E ao final… não renascemos como alguém melhor para o mundo, mas como alguém mais verdadeiro para si.

Porque só quando o ego cai, a alma finalmente respira.


Com respeito e amor por esta jornada

Lore @prosa.terapia

 
 
 

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