Quando o Ego cai, a Alma respira
- Lorena Lisboa
- 24 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Há momentos na vida em que somos obrigados a encarar o que construímos , castelos de certezas, papéis, histórias e versões que um dia nos sustentaram, mas que já não fazem mais sentido.
É quando percebemos que, no tapete da alma, sobraram apenas os confetes de uma festa que não lembramos mais por qual motivo começou.
E então vem a pausa.
Uma pausa profunda.
Sem notas, sem melodia, sem pressa.
Apenas o silêncio que ecoa como um grande intervalo entre um ciclo e outro.
Neste território desconhecido, o ego se retrai, e algo dentro de nós começa a se reorganizar. Surge uma sensação estranha – como se uma nova vida quisesse nascer, mas ainda estivesse sem nome, sem forma, sem um roteiro claro.
É o “puerpério da alma”: o período em que tudo é sensível, frágil, cambaleante… e profundamente verdadeiro.
De repente, vemos que a vida colocou em nossas mãos uma página em branco, limpa, esperando pela nova história que ainda não sabemos escrever. E essa falta de respostas , por mais desconfortável que seja , não é fracasso: é começo.
As estruturas antigas ruem.
Os alicerces antigos estremecem.
Engenheiros invisíveis observam o terreno, estudando o que pode permanecer e o que já não serve para sustentar a construção da nova versão de nós mesmos.
E no meio desse processo, algo sutil acontece: percebemos que não confiamos totalmente naquele “eu antigo” que nos trouxe até aqui… e ainda não conhecemos o novo “eu” que precisa surgir.
É um ponto de travessia.
Um entre-lugar.
Um estado liminar da existência.
E ninguém passa por ele sem sentir o chão afastar-se um pouco dos pés.
Mas é justamente aí, quando tudo parece desmoronar, que a alma se coloca na frente pela primeira vez.
Ela fala sem palavras.
Lembra sem memórias.
Conduz sem mapa.
Ela sabe que crescer dói.
Que renascer exige colapso.
Que morrer para o ego é apenas devolver a vida ao espírito.
E assim seguimos:
entre pausas, silêncios, confusão e esclarecimentos;entre o que já fomos e o que ainda estamos aprendendo a ser.
A morte do ego não é o fim.
É o início de uma vida mais real.
Mais alinhada.
Mais nossa.
Quando o antigo se dissolve, o novo não surge imediatamente , ele é construído tijolo a tijolo, como uma obra que exige paciência, estudo, humildade e presença.
E ao final… não renascemos como alguém melhor para o mundo, mas como alguém mais verdadeiro para si.
Porque só quando o ego cai, a alma finalmente respira.
Com respeito e amor por esta jornada
Lore @prosa.terapia


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