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“FOBIA” RELACIONAL — Quando o Corpo Lembra: você sabe reconhecer os gatilhos da alma?

Você se sente pronto para esta conversa? Então vem comigo!

Há momentos na vida em que a gente sente que está avançando, que a mente entendeu, que o espírito compreendeu e que a razão já consegue organizar tudo. Mas então a vida nos coloca diante de um "teste simples" , ou..... aparentemente simples , e o corpo conta outra história. É como se ele dissesse:

“Eu ainda lembro. Ainda dói. Ainda não passou por completo.”

E isso surpreende, porque dentro de nós já existe uma parte que cresceu, mas outra ainda está aprendendo a acompanhar.

Quando atravessamos lutos, rupturas afetivas, decepções profundas ou traumas que se acumulam, o corpo carrega um mapa que não mente. Basta entrar em um ambiente que lembra a dor, cruzar com alguém que simbolizou um período difícil ou ser colocada diante de uma função que um dia nos machucou… e de repente sentimos tremor, coceira, placas na pele, pressão ou peso nos ombros, dor de cabeça, irritabilidade aparentemente sem motivo. Mas existe motivo. É a linguagem do corpo trazendo à tona aquilo que a consciência já tenta elaborar há tempos. Ele fala o que a mente não verbaliza. Ele denuncia o que ainda precisa ser acolhido.

E então coisas pequenas ganham um peso enorme. Um simples pedido, um convite inocente, um gesto comum , tudo pode acionar lembranças, papéis antigos, funções que não queremos mais ocupar, dores que ainda não estão completamente fechadas. Às vezes, preparar algo para alguém toca na ferida de alguma responsabilidade emocional que foi vivida com sofrimento. Um convite para uma celebração que deveria ser doce chega como um ruído ensurdecedor. Encontros coletivos trazem a sensação de um mundo festivo demais para um coração que ainda está reorganizando os próprios cacos. O que para os outros é alegria, para nós é um excesso. O que para os outros é rotina, para nós é memória.

Nesses contextos podemos chegar a uma fobia temporária das relações...

Após passar por vínculos que decepcionam, relações que desprotegem ou ambientes que vulnerabilizam, muitas pessoas entram em um estado que chamo de fobia relacional temporária.

Não é que você não goste das pessoas.

É que o corpo não se sente seguro nelas .... ainda.

Esse período pode se manifestar como:

  • dificuldade de confiar,

  • aversão a grupos,

  • irritabilidade diante de convites,

  • vontade de se recolher,

  • cansaço emocional,

  • sensação de não pertencer,

  • medo de repetir dor,

  • dúvida sobre decisões pequenas e grandes.

Pessoas sempre decididas podem, de repente, se ver adiando escolhas.

Pessoas sempre afetivas podem se sentir mais reativas. Pessoas sempre expansivas podem desejar silêncio.

Isso não significa retrocesso.

Significa reorganização interna.

Depois de relações que nos desprotegem, amizades que não foram o que prometiam ou vínculos que nos fizeram carregar mais do que podíamos, podemos entrar nesse estado silencioso. Há um estranhamento que nasce da necessidade de resguardar aquilo que ainda está sensível. E nesse período, confiar parece arriscado, decidir parece pesado, se expor parece cedo demais. Aquela firmeza que sempre fez parte de nós dá lugar a uma fluidez forçada: às vezes adiamos decisões, às vezes não respondemos, às vezes não visualizamos, não opinamos. E isso não significa perder-se; significa proteger-se.

Existe um tempo da alma que não acompanha o relógio da vida. Existe um movimento interno que não se apressa porque o mundo tem pressa. E existe um silêncio que não é falta, é cuidado. Quando a gente percebe que não está pronta para celebrações, nem para grandes escolhas, nem para opinar sobre tudo, é porque o corpo está pedindo reorganização. É como se dissesse: “Espera por mim. Eu estou chegando.” E então nos permitimos ser mais delicadas com nós mesmas, mais compreensivas, menos rígidas. Permitimos não querer, não participar, não sorrir para tudo, não criar expectativas, não planejar com antecedência. Permitimos simplesmente existir.

Curar não é linear e nunca será. Às vezes avançamos espiritualmente e recuamos emocionalmente. Às vezes sabemos de tudo racionalmente, mas sentimos de outra forma. Às vezes estamos mais fortes, mas ainda não estamos prontas. E tudo bem. A cura é feita de idas e vindas, de pequenas derrotas e grandes recomeços, de aprendizados silenciosos que só aparecem quando o corpo se manifesta.

No fim, existe uma verdade que ninguém nos conta: o caminho inteiro já é cura. Mesmo quando dói. Mesmo quando irrita. Mesmo quando cansa. Porque cada sensação, cada reação, cada limite e cada silêncio faz parte de um processo maior de reconstrução. E quando respeitamos esse tempo, sem nos violentar para caber na expectativa de ninguém, a vida começa a se reorganizar ao nosso redor. A confiança volta. A paz volta. A leveza volta. E, aos poucos, voltamos a ser casa para nós mesmas.

Assim também espero.

Com amor e muito respeito, Lore do Prosaterapia.

 
 
 

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