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🌿 A Dor da Entrega Não Correspondida

Por Prosaterapia

Há uma dor que não deixa marcas visíveis, mas que ecoa fundo na alma: a dor de quem ama, entrega, oferece o melhor de si... e não é correspondido.

Essa entrega, muitas vezes silenciosa, nasce do mais nobre sentimento: o amor genuíno. Um amor que não mede esforços, que atravessa noites mal dormidas, que se doa sem esperar retorno imediato. Um amor que deseja apenas o bem, que tenta, que acolhe, que permanece. Mas nem sempre esse amor é compreendido. Nem sempre ele encontra morada no outro.

Existe um ponto da caminhada em que é preciso aceitar que nem todo gesto de amor será recebido como se espera. Que nem toda tentativa de construir pontes será reconhecida. Que nem todo “cuidar” será visto como cuidado.

Há quem ainda não saiba receber amor. Há quem rejeite o afeto por medo, por traumas ou por simplesmente não estar pronto para amar de volta. E nesse momento, quem ama precisa escolher: adoecer na insistência ou se curar na compreensão do limite.

A dor da entrega não correspondida é, paradoxalmente, uma lição sobre o amor próprio. Ela ensina que amar o outro não pode significar deixar de amar a si. Ensina que a entrega mais sagrada é aquela que preserva a própria essência. No plano espiritual, nenhuma entrega sincera é em vão.

Cada gesto de amor verdadeiro vibra no universo como prece. Ainda que não encontre retorno no outro, encontra eco na espiritualidade. O amor que se oferece com pureza se transforma em luz, em aprendizado, em elevação. Mesmo quando não é correspondido, ele cumpre uma missão: a de ensinar, transformar e aproximar a alma de sua essência mais divina.

Há, sim, um luto invisível em amar sem ser acolhido. E é preciso respeitar esse luto. Chorar, silenciar, recuar, até que o coração reencontre a própria pulsação.

Mas há também um chamado maior: o de compreender que o amor verdadeiro não depende da reciprocidade para ser digno. Ele se sustenta na nobreza da intenção.

A jornada espiritual nos lembra que cada ser tem seu tempo. E que o livre-arbítrio do outro não pode ser forçado a corresponder à entrega que vem de nós. O amor não se impõe. Ele se oferece. E, se não é recebido, precisa ser recolhido com dignidade e transformado em crescimento.

Amar é um dom. Ser correspondido é um presente. Não ser, é um ensinamento.

E a alma que ama com pureza — mesmo na ausência de retorno — jamais sairá menor da experiência. Ela sairá mais consciente, mais inteira, mais próxima de si e de Deus. E por tudo isso lembremos que há beleza, sim, na tentativa. Há grandeza em quem ama sem reservas. Mas há ainda mais força em quem reconhece a hora de soltar, de seguir, de manter a fé... e deixar o resto aos cuidados da vida e de Deus.

🕊️Que essa dor também seja cura. Que ela nos ensine a continuar amando — com sabedoria, com limites, com respeito. E que jamais nos impeça de ser amor.


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