Modo Extraterrestre
- Lorena Lisboa
- 13 de jul.
- 2 min de leitura
Até existo... mas não farei contato por hora.
Confesso que sorri quando li essa frase transformada em meme.
Talvez porque ela traduza, com um pouco de humor, um estado da alma que muitos de nós conhecemos bem.
Há fases da vida em que nos sentimos quase extraterrestres. Não porque deixamos de amar as pessoas, mas porque, de repente, o mundo parece alto demais. As conversas cansam. Os encontros pesam. Os convites exigem uma energia que, naquele momento, simplesmente não temos para oferecer.E tudo bem
Talvez isso não seja isolamento. Talvez seja um chamado ao recolhimento.
A natureza faz isso o tempo todo. As árvores não florescem durante o ano inteiro. A terra conhece o silêncio antes da colheita. Os rios diminuem seu fluxo em determinadas estações. Por que conosco haveria de ser diferente?
Vivemos numa época em que estar disponível o tempo inteiro parece uma obrigação. Responder rapidamente virou sinônimo de consideração. Estar presente em todos os grupos, encontros, comemorações e conversas quase se tornou um indicador de saúde emocional.
Mas será mesmo?
Há fases da vida em que a alma pede exatamente o contrário.
Não por falta de amor.
Não por desprezo.
Nem por indiferença.
Mas porque existe uma reconstrução acontecendo por dentro.
Nem toda ausência é abandono.
Às vezes é um canteiro de obras.
E quem já passou por uma grande perda, por uma decepção profunda, por um adoecimento emocional ou por uma mudança radical sabe do que estou falando.
Existe um momento em que o excesso de estímulos começa a cansar.
As conversas pesam.
Os convites parecem grandes demais.
Responder mensagens exige uma energia que, naquele instante, simplesmente não existe.
Curiosamente, quem está de fora pode interpretar esse movimento como frieza.
Mas, por dentro, trata-se apenas de sobrevivência.
Há um tempo em que precisamos diminuir o volume do mundo para conseguir ouvir novamente a nossa própria voz.
Não é fuga.
É escuta.
É como uma floresta depois de uma tempestade.
À primeira vista, parece silenciosa demais.
Mas, no subterrâneo, raízes estão se reorganizando.
A natureza nunca confunde pausa com inutilidade.
Só nós fazemos isso.
Talvez por isso tenhamos tanta culpa quando precisamos desaparecer um pouco.
Sentimos que estamos decepcionando alguém.
Que estamos sendo egoístas.
Que deveríamos estar mais presentes.
Mais produtivos.
Mais disponíveis.
Mas existe um tipo de presença que só nasce depois de um bom recolhimento.
Porque ninguém oferece paz quando está em guerra consigo.
Ninguém acolhe verdadeiramente quando ainda não encontrou um lugar seguro dentro de si.
Aprendi que existem estações em que servir ao mundo significa justamente diminuir o ritmo.
Respirar.
Silenciar.
Permitir que a poeira assente.
E talvez o verdadeiro amadurecimento espiritual não seja estar disponível para todos o tempo inteiro.
Talvez seja discernir quando o amor precisa se expressar através da presença...
E quando ele precisa se expressar através do silêncio.
Se você não tem respondido tão rápido...
Se anda recusando alguns convites...
Se tem sentido necessidade de ficar mais consigo...
Talvez você não esteja se afastando da vida.
Talvez esteja voltando para casa.
E, às vezes, voltar para casa é o gesto mais amoroso que podemos oferecer à nossa própria alma.
Com amor e luz,
@prosa.terapia ✨




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