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Quando a Alma Entrega as Chaves

Há sonhos que parecem querer nos contar uma história.Outros, porém, fazem algo diferente...eles não respondem perguntas, eles entregam símbolos. E os símbolos têm um jeito curioso de permanecer trabalhando dentro de nós muito tempo depois de acordarmos.

Tenho pensado que a vida também é assim.

Às vezes acreditamos que amadurecer é encontrar respostas cada vez mais rápidas. Mas talvez o amadurecimento seja justamente aprender a conviver com perguntas melhores.

Existe um momento da caminhada em que percebemos que algumas portas da consciência começam a se abrir.

Não porque nos tornamos especiais, mas porque nos tornamos disponíveis.

Curiosamente, essas portas não costumam se abrir para quem deseja controlar tudo.

Elas se abrem para quem desenvolve a coragem de observar, de escutar e esperar.

Vivemos uma época em que existe muita pressa para interpretar experiências, dar nome às sensações e transformar qualquer intuição em certeza.

Mas a alma parece ter outro ritmo.

Ela prefere o silêncio ao excesso de explicações.

Ela prefere o discernimento ao entusiasmo precipitado.

Talvez por isso algumas das maiores experiências espirituais não nos tornem pessoas que sabem mais.

Elas nos tornam pessoas que perguntam melhor.

Existe uma diferença enorme entre enxergar e compreender.

Entre sentir e concluir.

Entre perceber e interpretar.

Nem tudo o que atravessa a nossa consciência precisa receber imediatamente um significado.

Algumas experiências amadurecem como as sementes.

Precisam permanecer um tempo debaixo da terra antes de revelar aquilo que realmente são.

Penso que uma das maiores demonstrações de maturidade espiritual seja justamente esta:

Receber as chaves sem sair abrindo todas as portas.

Nem toda chave é um convite para entrar imediatamente. Às vezes ela representa confiança, as vezes responsabilidade, e outras vezes apenas a lembrança de que existe um lugar dentro de nós esperando o tempo certo para ser habitado.

Também acredito que toda caminhada sincera nos conduz a uma forma diferente de visão.

Não aquela que depende dos olhos.

Mas aquela que nasce quando diminuímos o ruído das expectativas.

Quando deixamos de projetar sobre o mundo aquilo que desejamos encontrar.

Quando aceitamos que a verdade não precisa correr para se provar.

Talvez a consciência seja isso.

Aprender a caminhar sem tanta pressa de chegar.

Aprender a sentir sem tanta ansiedade de explicar.

Aprender a confiar que algumas respostas florescem justamente porque tivemos coragem de não arrancá-las antes do tempo.

No fim das contas, talvez o caminho espiritual não seja o de acumular certezas.

Talvez seja o de refinar a escuta.

Porque existem mensagens que só conseguem chegar quando a nossa própria voz finalmente aprende a fazer silêncio.


Paz e Luz @prosa.terapia



 
 
 

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